Formato XML pode substituir o formato MARC?

Conforme já publicamos em post’s anteriores, com o surgimento do RDA, nos Estados Unidos se discute cada vez mais o fim do formato MARC e o surgimento de novos padrões para metadados modelados para a web.

Enquanto a Library of Congress começa a discutir a transição do formato MARC, assunto que já rendeu um post aqui no nosso blog (veja aqui), alguns blogs de bibliotecários estrangeiros já dão como certa a necessidade de um novo formato e que as eventuais atualizações que a LC vem fazendo no formato MARC 21 para o RDA não serão suficientes para acompanhar todas as possibilidades na descrição de materiais advindas com a RDA.

E com toda a discussão em plena gênese, nesse post trazemos o link para um artigo publicado no último dia 25, no periódico Code4lib, com o título MARC21 is a data: a start, em português MARC21 como dados: um início (tradução livre).

Abaixo segue o resumo traduzido:

Marc21 como dados: um início

Com 45 anos de idade, atualmente na versão MARC21, o formato MARC é uma barreira óbvia para a prestação de serviços de bibliotecas em um ambiente baseado na web.
Há um consenso crescente de que chegou o momento das bibliotecas migrarem para um novo formato. Não podemos, no entanto, decidir sobre um novo formato de dados até
que pelo menos tenhamos um inventário dos elementos que compõem o formato atual.  A listagem dos elementos não é simples: ao longo dos anos o formato MARC sofreu uma mudança constante, que tem empurrado os limites da sua estrutura de registro e apresentou inconsistências na forma como os dados são codificados. Este artigo descreve a tentativa de uma pessoa para decodificar o conteúdo do MARC21.

Para acessar o artigo, em inglês, clique aqui

Para acessar o artigo, traduzido pelo google para o português, clique aqui

Sobre a autora do artigo:

Karen Koyle é bibliotecária e consultora com interesse em metadados.

Para aqueles que desejam conhecer melhor a produção da autora, indicamos a leitura do seu  site e do blog, principalmente no post denominado “RDA in XML – why not give it a shot?”, onde Karen apresenta, com comentários, um exemplo de como um registro em RDA pode ser representado em formato XML.

Conclusão:

Primeiramente, pode-se afirmar que ainda não há conclusões sobre o possível fim do formato MARC, mas o fato é que o futuro código de catalogação, o RDA, elevará a estrutura de representação dos dados na web e nesse aspecto o MARC tende a ser inflexível.

Também não podemos esquecer que o formato MARC foi desenvolvido e é gerenciado pela Library of Congress, o que dá a esse formato o respaldo da qualidade e exelência dos serviços oferecidos pela LC.

Por fim, no Brasil os esforços ainda estão dirigidos ao entendimento do RDA e dos FRBR-FRAD, mas essas novas regras/conceitos não são rígidos e passíveis de “decoreba”, como ocorre com a AACR2. A catalogação do futuro exigirá do profissional o mínimo de conhecimento sobre arquitetura da informação e linguagens computacionais para o entendimento da aplicabilidade das novas regras.

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Sobre Marcelo Votto

Bibliotecário na Universidade de Caxias do Sul = Librarian at University of Caxias do Sul
Esse post foi publicado em MARC, RDA. Bookmark o link permanente.

2 respostas para Formato XML pode substituir o formato MARC?

  1. Caro Marcelo,

    Me corrija por favor, posso estar equivocado. O XML não é um formato de metadados, é uma linguagem de marcação, que permite, diferente do HTML a criação de tags próprias. Nesse sentido não tem como ele substituir o MARC. Me parece que o artigo fala de um formato que o XML suporte, como já ocorre com o Dublin Core http://dublincore.org/ , inclusive no artigo desse link http://www.sbu.unicamp.br/seer/ojs/index.php/sbu_rci/article/view/358, as autoras fazem a correspondência desses formatos de metadados.
    Entendo que o futuro seja um formato mais consistente do que o Dublin Core, em XML, que seja para uso geral de todos os usuários da Web e não apenas pela comunidade bibliotecária. O MARCXML http://www.loc.gov/standards/marcxml/ parece ser um caminho, que na verdade eu nem conheço muito bem, mas que a Fernanda Moreno explorou muito bem em relação aos FRBR http://repositorio.bce.unb.br/handle/10482/2565 no item 2.2 (página 22), mas se estão discutindo isso, talvez esse não seja suficiente.

    Abraço.

  2. Marcelo Votto disse:

    Olá Rodrigo,

    quanto a sua questão sobre o XML como uma linguagem e não como um formato de metadados, não há o que lhe corrigir, você está correto. Quanto a substituição do formato MARC para um formato em linguagem XML (sem especificar um formato, por isso o uso da expressão “Formato XML”, que poderia ser substituído por “Formato em XML”), não passa muito pelo formato a ser escolhido (que pela própria Karen Koyle diz serem inúmeras), mas sim, a saída desses dados (como o usuário irá visualizar os resultados de sua busca), algo que o XML permite configurar (usando todo o potencial que o RDA pode oferecer) e que atualmente o MARC restringe.

    Quanto ao MARCXML acho que um dos caminhos pode estar aí, sinceramente, pouco li sobre esse projeto, mas mesmo que se adote um formato diferente, acredito que não será muito diferente do que projetam no MARCXML, mas isso é só uma suposição.

    Minha opinião é de que no Brasil grande parte dos catalogadores ficarão a mercê de um pequeno grupo de bibliotecários, atuantes no desenvolvimento de softwares gerenciadores de bibliotecas, que decidirão os formatos mais maleáveis para o uso do RDA. Contudo, se nos EUA recém estão discutindo isso, por aqui talvez demore alguns anos para chegar, ou como normalmente acontece, apenas seguiremos padrões pré-estabelecidos por instituições internacionais, sem a posição e participação de nenhuma instituição nacional.

    Mas bem, por enquanto só temos dúvidas a oferecer…

    Obrigado pelo retorno!
    Abraço,
    Marcelo

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