Biblioteca do Congresso deve começar a transição do MARC

A Biblioteca do Congresso anunciou que vai proceder uma reavaliação do controle bibliográfico, o que poderia conduzir a uma transição gradual para além do MARC 21, padrão no qual bilhões de registros de metadados estão atualmente codificados.

“É um dez”, disse Sally McCallum, sem hesitação, quando solicitada a classificar o escopo do projeto e sua importância em uma escala de 1 a 10. McCallum é a chefe da Network Development and MARC Standards Office da Biblioteca do Congresso.

O objetivo do  Bibliographic Framework Transition Initiative é determinar “o que é necessário para transformar o nosso formato digital” em função das mudanças tecnológicas e as restrições orçamentárias, disse Deanna Marcum B., bibliotecária que vai liderar a iniciativa . “É muito importante que encontremos uma maneira de vincular os recursos da biblioteca com um universo de recursos de informação que não estão focados exclusivamente nas informações bibliográficas”, disse ela.

Ao repensar o MARC, que tem suportado o compartilhamento de recursos e a catalogação de baixo custo por muitos anos e é o padrão predominante para a representação e comunicação de informações bibliográficas e afins em forma legível por máquina, Marcum disse que a Biblioteca do Congresso pretende determinar se o padrão poderá “evoluir para fazer todas as coisas que nós gostaríamos que ele fizesse, ou se precisaremos substituí-lo” por algo mais compatível com o mundo da Internet.

A Biblioteca do Congresso conclui que para manter os atuais padrões de codificação de metadados a comunidade de bibliotecas, eventualmente, terá de se acostumar com outras estruturas de dados.

“Nós temos uma infra-estrutura enorme, construída ao longo dos anos em torno do formato MARC, e isso causaria algum rompimento, teria um custo, portanto deverá ser feito de forma inteligente e cuidadosa”, disse McCallum. “Nós podemos continuar como estamos, mas não é desejável”, disse ela.

Inspirado pela RDA
A esperança é que um movimento em direção a novas estruturas de dados“permitirá que os dados bibliográficos possam ser utilizados em tecnologias e configurações técnicas muito novas, como a web semântica”, disse McCallum.

“Eu acho que nós precisamos entrar em algumas dessas estruturas novas de dados com mais entusiasmo”, disse McCallum. “Incentivar a comunidade a se acostumar com outras estruturas de dados, como XML ou RDF”.

Conforme Marcun, existe também um desejo da comunidade de bibliotecas de “colher os benefícios de padrões de conteúdos novos e emergentes”, como indicado pelos comentários que acompanharam o ensaio do RDA.

RDA é um código de catalogação, que abrange todos os tipos de conteúdo e mídia (incluindo os recursos digitais) e foi lançado há um ano para substituir o AACR2. Seu desenvolvimento foi um reconhecimento de que as bibliotecas funcionam num ambiente digital e têm de lidar com criadores de metadados que não são bibliotecários. O RDA integra os registros de catalogação com novos metadados, mas o teste levantou outras questões que estimularam a iniciativa.

“Muita gente fez o comentário de que, embora o novo código [RDA] nos permita uma melhor ligação entre diferentes recursos disponíveis, existem dificuldades inerentes à utilização do MARC como o portador dos registros que nós criamos neste novo código”, disse ela.

O Working Group on the Future of Bibliographic Control, formado em 2006, também ajudou a impulsionar a nova agenda.

“Eles levantaram esta questão. Eu dei a este grupo crédito para levantar a questão de saber se é a hora de reavaliar o padrão MARC”, disse Marcum, “E acho que, centrando-se nesta questão, tem aumentado a sensibilidade de todos nós para as barreiras que existem em nosso sistema atual para tornar a informação completamente acessível”.

A mudança virá aos poucos
A Biblioteca do Congresso entende que qualquer mudança deve ser gradual.

“O Marc ainda permanecerá por pelo menos mais dez anos. É utilizado universalmente”, disse McCallum. “Há muitos serviços e produtos baseados no MARC, e seu uso vai diminuir conforme as pessoas vão convertendo seus dados e conforme elas vão tendo condições de realizar a conversão”, disse ela.

“Nós queremos mudar com estabilidade”, disse McCallum. A Biblioteca do Congresso está consciente de que as bibliotecas têm de conter os custos, mesmo porque estão sendo solicitadas a fornecer metadados para o montante de material digital.

O projeto pretende também:

• Promover a máxima reutilização de metadados da biblioteca no ambiente mais amplo de pesquisa na web.
• Explorar o uso de modelos de dados, tais como o FRBR – Functional Requirements for Bibliographic Records (Requisitos Funcionais para Registros Bibliográficos) nas relações de comando, se estas tiverem sido ativamente codificados por bibliotecários ou feitas de forma identificável pela web semântica.
• Planejar a conversão de metadados existentes em novos sistemas bibliográficos dentro da infraestrutura técnica da Biblioteca do Congresso.

Marcum disse que a iniciativa será “totalmente colaborativa” e um primeiro debate ocorrerá em junho, na conferência anual da American Library Association, em Nova Orleans. Uma série de reuniões está sendo esperada para 2012 e 2013.

Tradução livre de Library of Congress May Begin Transitioning Away from MARC, publicado no Library Journal.

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